Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

François Ozon é um dos realizadores franceses mais produtivos, polivalentes (saltitando entre géneros cinematográficos de obra para obra, apesar das temáticas que abarca serem recorrentes – sexo e morte), interessantes da actualidade e, simultaneamente, um dos mais irregulares em termos de produto final.
Desta feita, com “Correu Tudo Bem” calhou-nos na rifa um dos seus filmes "nim”.

Um drama morno (baseado no romance autobiográfico de Emmanuèle Bernheim, um seu antigo colaborador, entretanto, falecido) e de estética simples/classicista (quase exclusivamente constituido por close-ups e planos de conjunto convencionais), independentemente de explorar uma temática forte e fracionante (o recurso à eutanásia, num país em que a mesma ainda não é legalmente permitida).
A história, exposta de um modo (demasiado) linear, mas sem emissão quaisquer juizos de valor ou resquícios de planfetarismo, explora o processo emocial e burocrático que ocorre após um octogenário de classe média alta, paralisado em consequência de um avc, pedir às suas duas filhas (com as quais sempre manteve uma relação distante) que o ajudem a suicidar-se.

Vê-se sem grande entusiasmo, sendo que apenas nos mantém presos graças às performances irrepreensíveis do seu elenco de estrelas gaulesas (Sophie Marceau, André Dussollier, Géraldine Pailhas e Charlotte Rampling).

Publicada a 06-01-2022 por José Miguel Costa