Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

O realizador mexicano Guilermo Del Toro está de volta aos ecrãs de cinema com Nightmare Alley, mais uma fábula burlesca (desta feita também com uns pozinhos de filme noir) povoada por uma constelação de mega-estrelas de Hollywood (Cate Blanchett, Willen Dafoe, Bradley Cooper, Rooney Mara, Toni Collette e Ron Perlman).
Todavia, a robustez financeira desta produção (a meca do cinema abriu-lhe mesmo os cordões à bolsa) não se faz sentir apenas ao nível do elenco, mas, igualmente, na opulência da direção artistica (Del Toro esmerou-se na recriação das atmosferas de degradação e luxo da Chicago de 1940, misturando, como tão bem sabe, realidade e sobrenatural).

Através de uma divisão entre dois cenários espácio-temporais seguimos a trajectória de um enigmático anti-herói em fuga, quiçá de si próprio (desconhecemos o seu passado e motivações, mas desconfiamos não ser boa rês, dado que no prólogo do filme vimo-lo a incendiar uma casa com um sujeito no seu interior), encarnado por um magnifico Bradley Cooper (sim, eu verbalizei mesmo isto!).
A acção inicia-se numa decrépita feira popular itinerante, à qual Ele chega por mero acaso e a cujas gentes acabará por juntar-se temporariamente, à falta de melhor.
No entanto, tal opção acabará por revelar-se certeira, já que aí aprenderá as artes do esoterismo e da banha da cobra, que mais tarde irão abrir-lhe as portas de acesso à alta sociedade, que tanto ambiciona atingir sem "olhar a quaisquer meios" (nem que seja aliando-se cegamente a uma maléfica psiquiatra - interpretada por uma transcendente femme fatale, Cate Blanchett-, em detrimento da sua amada, com o objectivo de extorquir velhinhos milionários).

É uma obra que encanta pela "parra", mas a cujas "uvas" falta sumo (talvez alguma da crueza e mistério que caracterizavam "Cronos" e "O Labirinto de Fauno" e que que o tornaram num cineasta de culto), retirando, desse modo, alguma força a esta metáfora sobre a Imoralidade civilizacional.
Acresce um subdesenvolvimento de outras personagens que não as protagonistas (Cooper e Blanchett), desaproveitando imperdoavelmente a grande safra que tinha ali à mão de semear.

Publicada a 05-02-2022 por José Miguel Costa