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Crítica

Franchise, capítulo segundo

Autor da crítica: Jorge Mourinha

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Não era surpresa que, embora tivesse dado por terminadas as aventuras de Harry Potter,, J. K. Rowling não tinha fechado por completo a porta de regresso ao seu universo mágico. E já aquando da estreia de Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (2016) era sabido que a sua intenção era desenvolver uma nova série de “prequelas”, feitas directamente para o cinema, à volta de Newt Scamander, o autor do manual de animais mágicos que é leitura obrigatória em Hogwarts. Os Crimes de Grindelwald é o segundo dos cinco filmes previstos para esta nova série, mantendo toda a mesma equipa técnica e criativa dos filmes anteriores — a começar pelo realizador britânico David Yates (que parece ter encontrado emprego vitalício a traduzir em imagens a escrita de Rowling). Aqui, na Paris de 1927, o que se joga é a captura do feiticeiro Gellert Grindelwald, fugido à justiça e desafiando as leis do mundo mágico para impor um regime ditatorial de feiticeiros de “puro sangue”. E a chave desse domínio reside no jovem órfão Credence Barebone, que parece deter a chave que lhe permita assumir o domínio sobre os mundos paralelos dos humanos e dos feiticeiros.

Conhecendo como conhecemos as múltiplas tomadas de posição pública da escritora, Rowling está a falar dos populismos e das demagogias dos nossos tempos: o seu Grindelwald é interpretado por Johnny Depp como um cruzamento entre o Bowie da fase Scary Monsters e um Hitler albino que sublinha a atracção maléfica da personagem. Mas o “número” tradicional de Depp a esconder-se por trás da máscara já não funciona como antes (sobretudo quando o actor está em piloto automático como vedeta convidada), e Os Crimes de Grindelwald é menos lúdico e divertido que Monstros Fantásticos, apesar de uma ou outra cena inspirada. A partir do momento em que se torna evidente que o novo filme não é mais do que um episódio de uma aventura maior e que (ao contrário do anterior) não funciona independentemente dos outros, o interesse dissipa-se e voltamos à adaptação puramente ilustrativa, perdendo a frescura que sentimos há dois anos. Talvez mudemos de opinião uma vez o ciclo fechado, mas a sensação é que para já este segundo capítulo é mais do mesmo.

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