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Crítica

Daqui ninguém sai bem visto

Autor da crítica: Jorge Mourinha

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O leitor já ouviu certamente falar da “síndrome de Estocolmo”, que acontece quando, numa tomada de reféns, estes se começam a identificar com os seus raptores do que da família ou das forças da ordem. O que o canadiano Robert Budreau aqui conta é o estranho golpe criminoso onde essa condição psicológica primeiro se manifestou: o roubo do Banco Central de Estocolmo em 1973, durante o qual os assaltantes fazem reféns duas empregadas do banco, e no decurso das negociações estas se começam a pôr do lado dos criminosos, caso verídico aqui contado de acordo com um artigo da revista New Yorker. As coisas não são, claro, assim tão simples – nunca são – e ninguém sai bem visto da história, à excepção dos reféns: vai-se a ver, o responsável pelo golpe era um bandido de bom coração procurando a liberdade do seu amigo que tomou o lugar de irmão mais velho, este por seu lado não tinha sido tido nem achado no planeamento, a polícia passou o tempo a dar tiros no pé, e uma das reféns dá uma descasca ao primeiro-ministro Olof Palme em directo na televisão.

É história que dava para fazer um belo filme, mas Síndrome de Estocolmo não é esse filme. Indeciso entre jogar as cartas da comédia ou do policial, Budreau vacila permanentemente entre uma e outra de modo patudo e nunca acerta no equilíbrio, embora seja mais ou menos evidente que é enquanto comédia (com alguma graça até) que resulta melhor; o filme nunca “agarra” verdadeiramente o espectador e seria imediatamente esquecível não fossem os seus actores. Noomi Rapace é francamente boa na refém determinada que consegue manter o bom senso pelo meio da loucura geral, e Ethan Hawke entrega-se ao seu assaltante que só quer ser amado com a garra que lhe reconhecemos; os dois juntos sustentam Síndrome de Estocolmo sem esforço e dão-lhe um capital de simpatia que de outro modo não teria, mas que mesmo assim não arranca o filme da menoridade.

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