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Crítica

As memórias da natureza

Autor da crítica: Luís Miguel Oliveira

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Como muitos “documentários de paisagem”, o filme de Ian Soroka debate-se com uma pergunta: até que ponto é que a natureza pode “falar” sobre a história dos homens? Greetings from Free Forests, filmado e centrado numa floresta eslovena que durante a II Guerra e a ocupação nazi serviu de esconderijo aos partisans e base para as suas acções de resistência, compõe-se de uma série de planos onde, por norma (embora haja excepções), nenhuma presença humana existe — apenas árvores, bosques, o rumor do vento, cursos de água, antigas construções que são “cicatrizes” directamente provocadas pelos acontecimentos focados.

Mas é como se a natureza permanecesse muda e indiferente: a história tem que ser contada pela voz off, ou recorrendo a excertos de velhos filmes guardados num arquivo fílmico que também naquela região se encontra instalado, facto que, simbolicamente, constrói mais uma camada na reflexão que o filme opera sobre a forma como a memória histórica se incrusta (ou não) na natureza. É um filme bastante bonito, nos seus enquadramentos, no seu ritmo, nas suas articulações entre o passado e o presente. E que não acaba sem um sinal da “kitschização” (e, portanto, neutralização) da memória histórica: o plano final, onde as mesmas florestas que vimos durante a hora e meia anterior são dadas como puro ornamento, num quadro emoldurado numa sala onde um ecrã de computador passa imagens — que podiam ser do filme — transformadas em screen savers

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