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Crítica

Prémio simpatia

Autor da crítica: Jorge Mourinha

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Há que dizer que é sempre simpático ver um filme cuja personagem principal é um deficiente que não é definido pela sua condição. Antes pelo contrário: O Falcão Manteiga de Amendoim afadiga-se a provar que ter síndrome de Down não é um problema a não ser que o queiramos tornar num. Ao fim de um certo tempo já não vem ao caso que Zak, o miúdo entregue ao estado que não sabe o que fazer dele e que foge para viver aventuras, tenha uma deficiência física porque estamos a ver um ser humano que tem os mesmos problemas e as mesmas questões que as pessoas supostamente “normais” que encontra.

É bom. É mesmo o que de melhor O Falcão Manteiga de Amendoim tem — mas não consegue esconder os múltiplos problemas do filme de Tyler Nilson e Michael Schwartz, a começar por personagens arquetípicas tiradas da gaveta dos clichés para dar vida a uma trama previsível de indie americano bem-intencionado sobre a descoberta de si mesmo, fazer pazes com o passado, aceitar a diferença. Tudo a acabar num final apressado e quase abrupto que parece ter sido forçado a martelo porque era preciso acabar o filme.

É pena: com um bocadinho mais de cuidado, podia estar aqui um objecto muito curioso que faria sentido alinhar com os “ruralistas” americanos como Jeff Nichols (o filme passa-se nas zonas costeiras da Carolina do Norte), e a intensidade de um excelente Shia LaBeouf contrasta bem com a naturalidade de Zack Gottsagen. Mas O Falcão Manteiga de Amendoim parece afadigar-se a desmontar a sua suave e frágil fábula à medida que a vai construindo; o que sobra é mais um daqueles pequenos filmezinhos americanos que entusiasmam muito os festivais (venceu o prémio do público no South by Southwest) até aparecer o próximo filmezinho indie americano simpático mas frágil que entusiasme muito os festivais.

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