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Crítica

Um objecto perdido numa sala

Autor da crítica: Luís Miguel Oliveira

Perante um objecto que parece televisão — na planificação, no desenvolvimento dramatúrgico, na fotografia e na iluminação, na declinação do naturalismo televisivo que marca a representação dos actores — é grande a probabilidade de estarmos perante um objecto que seja mesmo televisão. É caso de O Nosso Cônsul em Havana, versão “compacta” do que começou por ser uma série de televisão, e que agora chega, dispensavelmente, à exibição em sala.

Verdade que o filme não faz nada para disfarçar a sua origem e o seu propósito primordial, o que no caso é magríssima consolação, até porque nunca se terá tratado de televisão excelente. Temos assim, com título a glosar Graham Greene, as aventuras de Eça de Queirós durante o período em que foi cônsul de Portugal em Havana, e os ecos de uma série de questões políticas da segunda metade do século XIX (o colonialismo, a escravatura, a agitação nos Estados Unidos) que faziam da ilha um bom ponto de encontro entre a Europa e as Américas. Mas tudo é estático, demonstrativo, a funcionar por enunciação temática (com pontas do foro sentimental), conformado em ser o que é, sem pingo de imaginação ou uma ideia de cinema propriamente dita. Nem vale a pena bater muito no ceguinho: se O Nosso Cônsul em Havana não terá sido excelente na televisão, pelo menos aí faria algum sentido; numa sala de cinema fica apenas perdido.

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