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Crítica

O pequeno teatro dos irmãos Mael

Autor da crítica: Luís Miguel Oliveira

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2021, ano Sparks: poucas semanas depois da estreia de Annette, de Léos Carax, filme construido sobre a música deles, ei-los de regresso, num documentário construído sobre a figura e a história deles. Edgar Wright traz com ele toda a exuberância que conhecemos das suas ficções, mas é uma exuberância que, neste contexto, tem efeitos meramente cosméticos: The Sparks Brothers, por muito fogo de artifício que o realizador lhe introduza, reproduz fielmente a cartilha do documentário de “depoimentos + imagens de arquivo”, pronto a servir em qualquer estação de televisão ou plataforma de streaming (é sempre um enigma que este tipo de filmes insista em querer ser “de cinema”).

Portanto, goste-se mais ou menos dos Sparks, é um filme que se sofre exclusivamente por causa deles — e se o material de arquivo, pleno de registos de actuações dos Sparks, é bastante rico, a presença da dupla, altamente teatralizada (como, aliás, o epílogo paroxisticamente denuncia), está à sua altura, como se o filme não fosse uma ocasião para os irmãos Mael tirarem as máscaras mas apenas para as modularem (e cf. epílogo, outra vez). De resto, é o previsível arraial de depoimentos, uns mais pertinentes do que outros (aliás, há uma quantidade de gente a botar palavra que parece estar ali mais por ser amiga de Wright do que por alguma qualificação extraordinária para discorrer sobre o assunto, mas enfim, até isso está de acordo com o tom de familiaridade “porreiraça” que domina o filme de uma ponta à outra).

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