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O hospício

Fernando Oliveira, Coruche, Portugal 17-01-2021

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Com uma mão cheia de obras-primas numa carreira muito desigual e cada vez mais rara – desde de 2001 filmou o apenas interessante “Fantasmas de Marte”, dois episódios da série “Masters of horror” e este “The ward” em 2010; filmes que tem alternado entre o terror puro (“Halloween” e “O nevoeiro”) e os de acção contaminados pela estrutura narrativa dos westerns (“Assalto à 13ª esquadra”, “Escape from New York”, ou “Fantasmas de Marte”), com alguns desvarios pelo meio bastante interessantes (“O homem das estrelas” ou “Memórias de um homem invisível”).“O hospício” entra no lado do thriller de terror, conta a história de uma jovem, Kristen (Amber Heard), que em meados dos anos 60 é internada num hospício depois de ter incendiado uma casa rural, e onde tem de lidar com as suas paranóias e com as “assombrações” do lugar. Filmar manifestações terríficas associadas à loucura não é propriamente raro no cinema actual, e Carpenter mostra-se algumas vezes preso às convenções do género, é previsível em demasia. Mas acreditando que o filme foi quase uma “brincadeira” para o autor, uma espécie de “estão a ver, quem sabe, sabe”, conseguimos desculpar esta espécie de academismo e entramos nela e darmos-lhes razão: deslumbramo-nos com os planos opressivos, e com a genialidade dos movimentos de câmara (a cena do chuveiro colectivo é excelente); aceitamos o argumento enxuto, onde os sustos aparecem no momento certo, e percebemos que tinha de ser assim, porque no fim sabemos que o que Carpenter filma são aparências, uma realidade que não é a que espectador vê; e gostamos do trabalho de representação de Amber Heard, personagem de cepa e beleza muito carpenteriana, passe a expressão.
Brincando com as palavras: o realizador prova que sabe o que faz, e se o filme sabe a pouco, ao que sabe é muito bom.
"em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt")

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