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2 estrelas

José Miguel Costa, Lisboa 22-01-2019

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O ditado popular “não há festa nem festança onde não vá a dona Constança” aplica-se que nem uma luva à Keira Knightley, pois sempre que surge um filme de época a “fazer-se” aos óscares lá está ela a dar o ar da sua graça. E como “a tradição ainda é o que era”, não podia deixar de constar do elenco da nova obra do realizador Wash Westmoreland (como protagonista, claro!), “Colette” (uma cinebiografia sobre a famosa e excêntrica escritora francesa da Belle Epoque, que se cinge aos eventos da sua vida ocorridos entre 1890 e 1910, ou seja, o período referente à duração do seu casamento com o “escritor" Willy Gauthier-Villars).

A Keira Knightley, em piloto automático, cumpre com o que lhe exigível; os cenários e o guarda-roupa são exuberantes, contribuindo para uma glamorosa reconstituição de época; e o argumento base é bastante apelativo, descrevendo o processo evolutivo de moça provinciana (que após o casamento com o destacado bon vivant da elite parisiense passou à condição de escritora fantasma do mesmo – tendo este obtido um estrondoso sucesso com os livros por ela redigidos, recusando-se, todavia, a partilhar os louros) até ao momento em que assume, sem pudores (para grande escândalo da tradicional sociedade patriarcal), os seus relacionamentos lésbicos.

Portanto, atendendo a tais características, trata-se de uma pelicula interessante, certo? Nem por isso! De facto, a sua narrativa “transpira por todos os poros” a telefilme desinspirado e esquematizado, com o habitual débito de factos cronológicos à la wikipedia. Opção que se revela um desperdício perante uma figura de excepção, muito à frente do seu tempo, que “tinha tudo” para ser dissecada de um modo menos convencional e linear.

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