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José Miguel Costa, Lisboa 04-11-2019

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Há cinco anos escrevi o seguinte sobre o antecessor de Vitalina Valera, o novo filme de Pedro Costa (premiado nos festivais de Locarno e Chicago) :
"Cavalo dinheiro é um produto cinematográfico sui generis inesquecível (para o bem e para o mal), por isso sejam corajosos, e façam o favor de ir vê-lo. Todavia, aconselho-vos a colocarem, logo no inicio do seu visionamento, uns phones nos ouvidos (não os tirem em momento algum) e deixem-se embalar pela vossa música favorita (seleccionem algo de melancólico).
Ahh e não se esqueçam de beber previamente uma café triplo. Isto porque se trata de uma obra dotada de uma beleza plástica quase indiscritível (literalmente de cortar a respiração), mas, em simultâneo, completamente esquizóide, em termos narrativos, e lentaaa."

Grosso modo, reitero os conselhos dados no passado, já que a "história" de Vitalina Varela (a explanação da deambulação zombie, por entre a escuridão da barraca decrépita de um bairro clandestino da Amadora, por parte da caboverdiana que viajou de África com o objectivo de assistir ao funeral do marido, que não via há quarenta anos, mas que chegou apenas três dias após este ter sido sepultado) continua a ser transmitida sem quaisquer pressas. No entanto, a narrativa (algo neorrealista) desta feita apresenta-se-nos mais escorreita (ainda que parca em palavras e abundante em silêncios ensurdecedores) e os seus "quadros em movimento" são (ainda mais) arrebatadores (o Pedro Costa é, em definitivo, um mestre sem igual a captar as várias tonalidades da negritude).

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