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Mr. Jones

José Costa, Lisboa 24-01-2020

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O filme decorre no séc. passado, com a mantança planeada, pelo partido comunista soviético, dos agricultores ucranianos, o que deve ter somado uns três a 4 milhões de pessoas esfomeadas até à morte. Orwell inicia o filme, chamando 'porcos' à elite soviética do partido comunista (subentende-se), na escrita da novela "O Triunfo dos Porcos", e continua pelas neves da Ucrância, com o protagonista a comer carne humana. Segue-se o desmentido da imprenesa (não há fome na Rússia), o assalto à casa do multimilionário Herst (Hearst?), e a aceitação, por parte deste, em publicar o desmentido. As parangonas passam a ser "há fome na Rússia". O jornalista que denunciou o holocausto ucraniano foi morto a tiro pela KGB, na Mongólia (pelos próprios guias que tinha contratado), ainda não tinha 30 anos. A cena do assassinato não está no filme, mas o peso do genocídio ressoa e permanece. Nota-se uma certa relutância em apontar o dedo ao partido comunista soviético na competição com os nazis "a ver quem mata mais" (quanto a símbolos, a foice e martelo nunca aparece; Estaline aparece duas vezes, e Lenine, uma única vez). No nosso país, ou seja, num país em que o ensino do 25/4 não menciona a natureza anti-democrática do partido comunista português nem a novela que foi chegar ao 25/11, é perfeitamente natural que críticos e quejandos se acovardem e não achem de bom tom falar do assunto. É pena...

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