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José Miguel Costa, Lisboa 15-02-2020

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O realizador Robert Eggers (que em 2015 excitou os fãs da cinematografia de terror com "A Bruxa") retorna aos grandes ecrãs com uma obra peculiar (que causou frenesim no festival de Cannes), "O Farol", povoada exclusivamente por dois homens (um insondável/intragável velho faroleiro e um enigmático jovem aprendiz recém-chegado) que partilham um espaço geográfico exíguo (um inóspito rochedo fustigado por um mar revolto, algures nos mares da Nova Inglaterra do século XIX, no qual se erege um imponente farol).

É uma espécie de conto hipnótico (rude, claustrofóbico e alucinado), não linear (já que o austero realismo inicial vai cedendo gradualmente lugar ao onirismo, até a um ponto em que deixamos de percepcionar os limites da realidade e ficção/loucura) e algo metafórico (abrindo portas a uma multiplicidade de significados/interpretações - na minha perspectiva poderá ser encarado como um "ensaio" sobre a insanidade do poder exercido/imposto de modo autoritário e tóxico).
No entanto, o realizador de tanto pretender encharcar a narrativa (aparentemente simples, focada na dinâmica relacional entre dois desconhecidos) com uma diversidade de simbolismos e "barroquismos", em determinados momentos apenas não ultrapassa a fronteira do ridículo graças à genialidade performativa dos protagonistas (Willem Dafoe e Robert Pattinson - vénias para o ex vampiro). Bem como por ficarmos absortos/siderados pela sua aterradora/opressora fotografia a preto e branco extremante contrastada e de textura "suja" (filmada em 35 mm, num formato quase quadrado que apela aos primórdios do cinema mudo).

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