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2 estrelas

José Miguel Costa, Lisboa 02-10-2020

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François Ozon é um dos realizadores franceses mais produtivos, polivalentes (saltitando entre géneros cinematográficos de obra para obra, apesar das temáticas que abarca serem recorrentes – sexo e morte) e interessantes da actualidade e, simultaneamente, um dos mais irregulares em termos de produto final.
Desta feita, com “Verão de 85” calhou-nos em rifa um dos seus “filmes não”, com a agravante deste ter um cheirinho a rip off (menor) da pelicula “Chama-me Pelo Teu Nome” de Luca Guadagnino.

A historia vaga, relatada em off num flashback que nos permite ir montando o “puzzle” (pouco misterioso e/ou emotivo), incide sobre o brotar repentino de um amor de verão (no ano de 1985) entre dois rapazes da Riviera francesa (encarnados de modo competente por Félix Lefevbre e Benjamin Voison), que irá deixar marcas profundas.

Independentemente de ser de filmado em formato 16 mm, que lhe imprime uma aura “mais autoral”, não passa de uma espécie de teen movie (jamais pensei emitir um comentário desta natureza sobre um filme do Ozon), com uns ingredientes de thriller, que não acerta no tom. Oscilando, numa eterna indefinição, entre o colorido pop nostálgico (que nos incita a abanar a cabeça ao som dos The Cure” e outros tesourinhos sonoros oitenteiros) e o gótico light (que nunca chega ser efectivamente dark, mesmo nas cenas alegadamente mais dramáticas, que, em boa verdade, por vezes, até resvalam para a fronteira do ridículo/piroso), acaba por desembocar em algo que “não é carne nem é peixe”.

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