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Small-time, big-time

Nazaré, Lisboa 25-03-2022

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Guillermo del Toro, realizador e argumentista, tem uma tendência para nos submergir em ambientes sombrios, mais ou menos fechados, numa experiência sempre intensa e por vezes intimidativa. Nesta fita grandiosa, com argumento adaptado que nos transporta para os States dos finais dos anos 30 sem esconder a miséria dos que apenas sobreviviam, continuamos nesse tipo de sensação. Contando com uma galeria notável de actores e actrizes (onde destaco o cada vez melhor Bradley Cooper e a presença avassaladora de Cate Blanchett), sai-nos uma obra realmente imersiva, com uma nota de moralismo que é especialmente adequada para aquele lugar puritano e aquele tempo (marcado por alusões longínquas à II Guerra, ainda sem os norte-americanos a intervirem) saído da Lei Seca e da Grande Depressão. O diálogo entre o mentalista e a psicóloga é, para mim, o momento supremo desta fita.
Quanto ao fio condutor da "ascensão e queda" do protagonista, será mesmo que, inconscientemente, ele apenas tenta desconbrir-se a si mesmo, e a que ponto consegue chegar até deitar tudo a perder? Alguns dirão que não passa de mais uma história de ganância, de emergir do small-time de ambientes de miséria, mas, pela tónica psicológica do argumento, pode duvidar-se que seja só isso. Apesar do moralismo, é uma excelente experiência cinematográfica, um dos melhores filmes que se vê por aí.

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