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José Miguel Costa, Lisboa 09-01-2021

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Em 2011, após ter deixado os USA para residir de modo permanente em Roma, a cinematografia de Abel Ferrara enveredou por uma via marcadamente autoral (como que acometido por uma certa "europeização"). Da nova safra daí decorrente, extasiei-me com os filmes "4:44 Last Day On Earth" (2011) e "Pasolini" (2014), bem como me decepcionei em 2019, graças ao inenarrável "Tommaso". Infelizmente, não será com a sua mais recente obra ("Siberia") que voltarei a reconciliar-me consigo (e não sei se haverá condições para tal ocorrer no futuro, já que este parece estar a perder-se irremediavelmente nas teias de um indecifrável onirismo e simbolismo ultrasurrealista de indole psicanalítica).

Desta feita, pegou no seu actor fetiche (Willem Dafoe - igualmente, "exilado" em Itália) para encarnar um ocidental eremita autoexilado (por motivos não explicitados) algures na inóspita Sibéria, onde gere uma espécie de bar do "tempo dos westerns" (frequentado por escassos nativos, com os quais não consegue comunicar, por desconhecimento do idioma). E transporta-nos, através de uma desordenada narrativa episódica, àquilo que parece ser uma (caótica, vaga e arbitrária) viagem ao seu subconsciente (ou a uma qualquer realidade paralela) povoado por pesadelos/arrependimentos das ("mal resolvidas") vidas passadas.

Neste objecto impressionista e hipnótico, em que é dificil discernir as ténues linhas do que se constitui (ou não) como realidade, salva-se a (sempre impressionante) performance do Dafoe e a atordoante fotografia (que mistura de modo sublime a luz natural e artificial).

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